Reforma tributária: prazo para escolha do Simples híbrido termina em 30 de outubro; entenda o que muda para as empresas

Com novas regras previstas para 2027, pequenos e médios empresários precisam avaliar impactos nos custos, na formação de preços e na competitividade dos negócios

Postado quarta-feira 28/10/2026 por Redação

Categorias: Design Empresas Notícias

Reforma tributária: prazo para escolha do Simples híbrido termina em 30 de outubro; entenda o que muda para as empresas
Reforma tributária: prazo para escolha do Simples híbrido termina em 30 de outubro; entenda o que muda para as empresas

A menos de três meses da entrada em vigor de uma nova etapa da reforma tributária, pequenas e médias empresas brasileiras enfrentam uma decisão que pode impactar diretamente seus custos e sua competitividade em 2027. Até o dia 30 de outubro, os negócios optantes pelo Simples Nacional poderão escolher a modalidade híbrida de tributação, que altera a forma de recolhimento de impostos e de aproveitamento de créditos tributários. A decisão acontece em meio à preparação para a extinção do PIS e da Cofins e o início da cobrança efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 1º de janeiro.

 


A principal diferença entre os modelos está na forma como os novos tributos serão recolhidos. No Simples tradicional, a cobrança permanece concentrada no Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). Já no modelo híbrido, a empresa continua no regime simplificado para os demais impostos, mas passa a recolher a CBS e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) separadamente, seguindo as regras do regime regular. A mudança permite maior aproveitamento de créditos tributários, mecanismo que pode reduzir o peso dos impostos ao longo da cadeia produtiva.

 


Segundo Julio Moreira, contador e sócio-fundador da iDVL Tecnologia Contábil, a escolha deve considerar principalmente o perfil comercial de cada negócio. Empresas que vendem produtos ou serviços para outras companhias podem encontrar vantagens no modelo híbrido, enquanto aquelas que atendem diretamente ao consumidor final precisam avaliar com cautela os custos adicionais. “O empresário precisa entender que a escolha não depende apenas de uma alíquota menor ou maior. O que realmente faz diferença é para quem ele vende, de quem compra e como os créditos tributários entram nessa conta. Uma decisão vantajosa para uma empresa pode representar um custo adicional para outra”, explica.

 


Decisão acontece antes da definição das alíquotas

 

Um dos principais desafios é que as empresas precisam optar pelo novo modelo antes de conhecer a alíquota definitiva da CBS para 2027. A previsão é que o percentual seja estabelecido até dezembro, após a conclusão dos cálculos e procedimentos previstos na legislação. Para reduzir as incertezas, as regras permitem cancelar a opção pelo Simples híbrido entre 3 de novembro e 20 de dezembro, possibilitando uma reavaliação antes do início do próximo ano.

 


“Estamos diante de uma situação em que o empresário precisa tomar uma decisão importante sem ter todas as informações disponíveis. Por isso, o planejamento tributário se torna indispensável. O ideal é simular os dois cenários agora, considerando faturamento, despesas e carteira de clientes, e revisar os resultados em dezembro, quando houver maior clareza sobre as alíquotas”, orienta Moreira.

 


Além da escolha do regime, a reforma exigirá adaptações operacionais. A partir de janeiro, empresas precisarão adequar sistemas de emissão de notas fiscais, revisar cadastros de produtos e serviços e avaliar possíveis mudanças em contratos e preços. Embora o ICMS e o ISS permaneçam em vigor durante essa etapa da transição, a chegada da CBS e as novas regras de aproveitamento de créditos já poderão influenciar as relações comerciais entre fornecedores e clientes.

 


Planejamento pode evitar prejuízos

 

Para o especialista, a principal preocupação deve ser evitar que a falta de preparação comprometa as margens de lucro, especialmente entre pequenos negócios que possuem estruturas financeiras mais enxutas. A análise dos impactos tributários, segundo ele, precisa fazer parte do planejamento empresarial e não ficar restrita ao cumprimento de obrigações fiscais.

 


“A reforma tributária muda também a relação entre o empresário e a contabilidade. Não basta calcular quanto será pago de imposto. É preciso compreender como cada decisão afeta o preço final, a margem de lucro e a capacidade de competir no mercado. Quem utilizar os próximos meses para organizar suas informações e planejar a transição terá condições muito melhores de começar 2027”, conclui Moreira.
 

Julio Moreira é contador e sócio-fundador da iDVL Tecnologia Contábil, escritório de Curitiba que une contabilidade, dados e tecnologia para apoiar a gestão de pequenas e médias empresas. Especialista em tributos sobre o consumo, atua também como consultor de Inteligência Artificial e Inteligência de Negócios na Secretaria da Fazenda do Paraná (SEFA-PR).

 

 

Texto:  MercadoCom

Imagem: divulgação

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