Paredes coloridas transformam ambientes e valorizam a arquitetura de interiores
Da pintura em um tom único, composições geométricas e revestimentos como o papel de parede, a arquiteta Cristiane Schiavoni mostra como a composição define a personalidade e o visual dos projetos
de cores | Fotos: JP Image (esq.) e Carlos Piratininga (centro e dir.)
Embora a integração dos ambientes tenha como premissa a eliminação de barreiras físicas, a parede representa muito mais do que um elemento divisor entre espaços. Na arquitetura de interiores, ela mantém a função de delimitar áreas, contribuir para a identidade visual do projeto, valorizar elementos decorativos e influenciar diretamente a percepção das proporções e da organização espacial.
E se por muito tempo os tons neutros predominaram nas tintas, papeis de paredes e outros revestimentos, essa realidade mudou bastante nos últimos anos. Segundo a arquiteta Cristiane Schiavoni, a paleta com cores expressivas ganhou abertura nos projetos justamente pelo intuito de adicionar personalidade aos ambientes.
“Uma construção cromática mais viva modifica o ambiente tanto pela conexão que promove no layout, como pela intenção de criar um ponto específico de interesse. Nada é realizado de forma aleatória e o fundamental é trabalhar o círculo cromático para alcançar o efeito pretendido em harmonia com as demais áreas”, pontua.
A cor como parte da composição
De acordo com a profissional, uma parede colorida não precisa, necessariamente, assumir o protagonismo: a sua presença pode ser constituída como uma base visual para valorizar o mobiliário ou entrar em cena para estabelecer contrastes e conduzir o olhar. Tendo em vista que tudo depende da intenção do projeto, ela diz que nuances mais suaves se alinham com propostas mais serenas, enquanto os mais saturados reforçam seu caráter singular. “Isso não significa, porém, que uma cor tenha sempre o mesmo efeito: a iluminação natural e luminotécnica, o tamanho das áreas e a combinação com outros materiais interferem diretamente”, ressalta.
No dormitório de casal deste apartamento localizado no Guarujá (SP), a arquiteta Cristiane Schiavoni elegeu o amarelo-ocre para preencher
as paredes e os nichos. A base dialoga com a dupla de quadros escolhidos para completar o décor | Foto: Rafael Renzo
Neste dormitório, o rosa eleito pela arquiteta Cristiane Schiavoni preenche todas as paredes e está em
sintonia com a marcenaria executada no projeto | Fotos: Carlos Piratininga
Duas cores, um só movimento
Outra possibilidade é desenvolver arranjos de cores explorando linhas, formas e contrastes. A pintura geométrica permite delimitar áreas, destacar planos e introduzir movimento visual sem depender de móveis ou objetos decorativos.
Para um cliente apaixonado por cores, neste studio com apenas 25 m² a arquiteta Cristiane Schiavoni propôs o desenho
com o amarelo, que se estende para o teto, suavizado pelo bege, desfazendo o mito que tons mais vivos diminuem ambientes
pequenos. “É tudo uma questão de saber coordenar”, contextualiza | Fotos: JP Image
O uso de duas ou mais cores exige atenção quanto à proporção e o desenho que orienta a divisão para que o resultado seja coerente com a intenção do projeto. “Nesta conta eu também considero a tamanho e a posição dos itens que serão dispostos na parede”, observa a arquiteta.
Para os dormitórios de dois irmãos, a arquiteta Cristiane Schiavoni adotou o mesmo conceito: definiu
uma cor principal – no caso o azul e, no outro, o verde – e, em ambos os casos, criou o geometrismo com
a marcenaria que faceia a parede onde está a cama e a escrivaninha | Fotos: Rafael Renzo
Mais possibilidades com o papel de parede
A pintura não é a única maneira e o papel de parede é uma alternativa eficaz para agregar estampas, texturas e combinações cromáticas que seriam mais difíceis para reproduzir apenas com a tinta. “Ele sempre esteve presente na arquitetura de interiores, mas de um tempo para cá tenho acompanhado uma evolução impactante na estética e nas texturas”, argumenta a profissional.
A diversificação das cores com o papel de parede pode acontecer por meio de efeitos como o listrado e impressões
de outros desenhos | Projetos da arquiteta Cristiane Schiavoni | Fotos: Rafael Renzo
Para recobrir as paredes, a definição do papel de parede deve considerar a relação com os demais acabamentos. Desenhos marcantes como paisagens assumem destaque, enquanto padrões discretos acrescentam textura e profundidade.
Com tema floral, o papel de parede aplicado pela arquiteta Cristiane Schiavoni neste lavabo
também acompanha a proposta da monocromia e tem as tonalidades que se complementam com o
quartzito presente no piso, bancada e o painel do espelho | Foto: Rafael Renzo
Paredes que integram as técnicas do color drenching ou monocromia
Aqui entra um ponto bem discutido quando a proposta é atuar com uma cor prevalente não apenas na parede, como nos demais itens do ambiente: color drenching ou a monocromia? Embora relacionadas, as estéticas não são sinônimas.
Na primeira, a mesma cor se manifesta nas paredes, teto, portas, mobiliário e marcenaria, entregando uma continuidade visual mais envolvente. Conforme detalha a arquiteta, o color drenching não depende de tons vibrantes, já que os suaves também revestem diferentes planos, enquanto mudanças de acabamento entregam nuances sem interromper a composição. “O resultado depende da relação entre a cor escolhida, a iluminação e as proporções do espaço”, detalha. Já a configuração monocromática reúne diferentes modulações de uma cor com variações de intensidade.
Revestimentos também marcam presença
Pedras naturais e porcelanatos ampliam as possibilidades, reforçando que as paredes também assumem as cores ao emularem a autenticidade da natureza. “Além da nuance principal, veios, desenhos e variações de textura interferem no resultado, especialmente quando ocupa uma área extensa ou percorre diferentes superfícies”, finaliza Cristiane.
Neste amplo banheiro do casal, a arquiteta Cristiane Schiavoni elegeu o exotismo do mármore azul para demarcar o
espaço que compreende a banheira freestanding e o box | Fotos: Carlos Piratininga
Sobre a arquiteta Cristiane Schiavoni
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), Cristiane Schiavoni atua na área de arquitetura, decoração e reforma desde 1996 e hoje, o escritório que leva seu nome, tem mais de 20 anos de história, reunindo centenas de projetos dentro e fora do Estado de São Paulo. Em suas criações residenciais e comerciais, publicadas em importantes veículos brasileiros, elementos-surpresa e toques de cor se misturam aos recursos que garantem o conforto e o aconchego dos moradores.
Acabamentos aplicados de maneira incomum e materiais versáteis também são presenças constantes nos trabalhos de Cristiane Schiavoni. O resultado se reflete na concepção de ambientes modernos, humanizados e dinâmicos, que convidam ao bem-estar e, principalmente, traduzem a essência de cada cliente.
Texto: dc33 Comunicação
Imagem: divulgação
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