Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador reúne indústria paranaense para transformar dores em soluções estratégicas


Encontro promovido pelo Centro de Inovação do Sesi Paraná definiu prioridades para a saúde e segurança do trabalhador

 

Postado segunda-feira 18/05/2026 por Redação

Categorias: Design Empresas Notícias

Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador reúne indústria paranaense para transformar dores em soluções estratégicas
Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador reúne indústria paranaense para transformar dores em soluções estratégicas

 


“A inovação começa com a escuta”.

 


A frase que conduziu o encontro realizado nesta quinta-feira (14), no Campus da Indústria, em Curitiba, sintetizou o espírito de uma manhã marcada por diálogos diretos, percepções compartilhadas e construção coletiva. Promovido pelo Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador, o evento “Futuro da Saúde do Trabalhador: Prioridades para a Indústria” reuniu representantes de indústrias e instituições parceiras do Sesi para discutir, de forma prática, os desafios mais urgentes relacionados à saúde e segurança do trabalhador no Paraná.

 


A programação abriu espaço para um olhar voltado ao futuro. Os convidados acompanharam uma apresentação sobre tendências que já impactam (e devem influenciar ainda mais nos próximos anos) a saúde do trabalhador na indústria. Entre os pontos abordados estiveram longevidade produtiva, autocuidado em saúde, aprendizagem contínua, inteligência de dados e o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial aplicadas à saúde e segurança do trabalho.

 


Para o Médico do Trabalho e Coordenador de Saúde do Sesi, Guilherme Murta, o debate sobre saúde do trabalhador passa, necessariamente, pela capacidade das empresas de anteciparem movimentos e adaptarem suas estratégias.

 


“A indústria vive uma transformação acelerada, e isso também muda a forma como precisamos enxergar a saúde do trabalhador. Falar sobre prevenção, saúde mental, tecnologia e qualidade de vida hoje é discutir sustentabilidade do negócio, produtividade e futuro”, diz.

 


Logo nas primeiras atividades do encontro, os participantes foram convidados a olhar para dentro das próprias realidades industriais. A dinâmica inicial propôs uma escolha difícil: entre 12 temas previamente mapeados, os quais representam hoje as dores mais sensíveis da indústria?

 


Ao final da priorização, sete temas foram definidos como foco dos grupos de trabalho:

Saúde Mental
Prevenção de riscos e acidentes de trabalho
Gestão de afastamentos e incapacidade
Vigilância e gestão de saúde do trabalhador
Gestão do plano de saúde corporativo
Capacidade para o trabalho
Conformidade e gestão normativa


A partir daí, as equipes mergulharam em discussões que passaram por cultura organizacional, liderança, tecnologia, comportamento geracional, prevenção e gestão estratégica da saúde.

 


Saúde mental ganha protagonismo diante das novas exigências da NR-01
Entre os temas debatidos, a saúde mental apareceu como uma das pautas mais sensíveis e urgentes para a indústria. As discussões envolveram desde a necessidade de metodologias mais confiáveis para avaliação de riscos psicossociais até a construção de medidas preventivas e mecanismos mais eficientes de fiscalização e acompanhamento.

O debate dialoga diretamente com as atualizações da NR-01, que ampliam o olhar sobre os riscos ocupacionais e colocam os fatores psicossociais em evidência dentro das estratégias corporativas de saúde e segurança.

 


Para Maria Cecília de Oliveira, Médica do Trabalho do Hospital Nossa Senhora das Graças, o momento exige uma mudança de postura das empresas e um olhar mais estratégico sobre o tema: “olhar para a saúde mental hoje é estratégico. A sociedade precisa de caminhos seguros, metodologias confiáveis e parceiros que ajudem a transformar essa discussão em ações práticas. E o Sesi ocupa um papel fundamental nesse processo”.

 


A construção coletiva também evidenciou a necessidade de criar bases mais padronizadas para atuação nacional, além de fortalecer iniciativas que promovam prevenção contínua e acompanhamento mais próximo dos trabalhadores.

 


Tecnologia, cultura e liderança no centro das discussões
Os grupos também apontaram desafios ligados à formação de lideranças, engajamento operacional e adaptação das empresas às novas dinâmicas do trabalho.

Na pauta de prevenção de riscos e acidentes, os participantes destacaram a importância de desenvolver uma cultura de segurança compartilhada entre liderança e chão de fábrica, além da utilização de tecnologias capazes de otimizar tempo, recursos e investimentos.

 


Já nas discussões sobre afastamentos e incapacidade, o foco esteve na prevenção antes da ocorrência do problema. A necessidade de mapear riscos antecipadamente, atuar sobre causas estruturais e utilizar tecnologia como ferramenta estratégica apareceu de forma recorrente entre os participantes.

 


As mudanças geracionais também entraram no centro do debate. No grupo sobre capacidade para o trabalho, representantes das indústrias apontaram os desafios de integração e permanência das novas gerações no ambiente industrial, reforçando a necessidade de revisão de formatos, comunicação e experiências dentro das empresas.

 


Escutar para construir soluções
Ao longo das apresentações finais, os participantes votaram nas propostas que mais representam as dores prioritárias da indústria atualmente. A votação não teve como objetivo hierarquizar a relevância dos temas, mas identificar quais demandas exigem atenção mais imediata.

 


Entre as sete pautas discutidas, os grupos receberam a seguinte quantidade de votos ao final do encontro:

Saúde Mental: 35 votos
Gestão de afastamentos e incapacidade: 12 votos
Prevenção de riscos e acidentes de trabalho: 23 votos
Vigilância e gestão de saúde do trabalhador: 27 votos
Gestão do plano de saúde corporativo: 9 votos
Capacidade para o trabalho: 7 votos
Conformidade e gestão normativa: 3 votos

 

O resultado revelou diferenças importantes entre as prioridades inicialmente percebidas e aquelas que emergiram após as discussões aprofundadas dos grupos em um movimento que reforçou o propósito do encontro: ampliar perspectivas e construir soluções a partir da escuta coletiva.

 


Para Robson Gravena, Gerente Executivo de Segurança, Saúde e Responsabilidade Social do Sesi, o encontro reforça o compromisso da instituição em atuar lado a lado com a indústria. “O Sesi existe para ouvir a indústria, compreender suas necessidades e potencializar ações que tragam impacto real para as empresas e para os trabalhadores. Esse processo de escuta é fundamental para construirmos soluções efetivas”.

 


William Teodoro, Coordenador do Centro de Inovação Sesi no Paraná (CIS PR), destacou que as contribuições levantadas durante o encontro servirão como base para os próximos movimentos da instituição.

 


“A partir dessa escuta, o CIS PR irá articular soluções voltadas à promoção da segurança e saúde do trabalhador na indústria, direcionando esforços exatamente para as dores que hoje aparecem como prioritárias para o setor”.

 


O que começa agora?
As conversas encerradas ao fim do evento não ficaram apenas nas mesas de discussão.

As dores mapeadas, os caminhos sugeridos e as prioridades identificadas ao longo do encontro devem ganhar novos desdobramentos nos próximos meses. Com base nas contribuições levantadas durante a programação, o Sesi já articula uma chamada de inovação prevista para agosto, voltada ao desenvolvimento de soluções práticas e direcionadas às demandas mais urgentes da indústria paranaense.

 


A proposta ainda está em construção. Mas, entre as discussões da manhã e os corredores do Campus da Indústria, uma percepção já circulava entre os participantes: algumas transformações importantes para o futuro da saúde do trabalhador começaram ali.

 


Para Veríssimo Lopes, da Denso do Brasil, iniciativas como essa fortalecem a relação de confiança entre indústria e Sesi.

 


“Existe uma confiança muito grande no trabalho do SESI porque ele consegue entender a realidade da indústria e transformar isso em iniciativas práticas. Quando há escuta verdadeira, as soluções chegam de forma muito mais assertiva”, afirma.

 


Porque, quando a indústria encontra espaço para ser ouvida, a inovação deixa de ser apenas uma ideia e começa a ganhar forma nas soluções que podem transformar o futuro da segurança e saúde do trabalho.

 

 

Texto:  Sesi Paraná

Imagem: divulgação

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