Exportações de móveis recuam, enquanto suprimentos produtivos avançam no acumulado do ano


O comércio exterior da cadeia de móveis brasileira atravessou o segundo trimestre de 2026
em um ambiente marcado por maior seletividade dos mercados, mudanças regulatórias e
crescente utilização de instrumentos de defesa comercial.

Postado terça-feira 14/07/2026 por Redação

Categorias: Design Empresas Notícias

Exportações de móveis recuam, enquanto suprimentos produtivos avançam no   acumulado do ano
Exportações de móveis recuam, enquanto suprimentos produtivos avançam no acumulado do ano

 


Em maio, as exportações de móveis e colchões somaram US$ 66,1 milhões, retração de 2% em relação a abril, quando haviam alcançado US$ 67,5 milhões. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques totalizaram US$ 284,8 milhões, resultado 6,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

 


Na cadeia de suprimentos para móveis — que engloba componentes, ferragens, máquinas, equipamentos, entre outros insumos — o comportamento foi distinto. As exportações alcançaram mais de US$ 1,4 bilhão entre janeiro e maio, avanço de 3,5% sobre igual período do ano passado.

 


Os números, levantados pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), por meio da Conjuntura de Móveis, demonstram que, embora ambos os segmentos enfrentem um ambiente internacional mais complexo, a demanda por insumos industriais permanece relativamente mais resiliente do que a observada para bens finais de consumo.

 


Cenário Estados Unidos


Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras tanto de móveis quanto de suprimentos. Entre janeiro e maio, os embarques de móveis e colchões prontos para os EUA somaram US$ 49,6 milhões, equivalentes a 17,4% das exportações brasileiras no segmento. Embora mantenham a liderança, a participação caiu de 27,8% no mesmo período de 2025 e de 31,1% em 2024.

 

 


Na cadeia de suprimentos para a fabricação de móveis, a concentração é mais expressiva, mas também segue em queda. Os Estados Unidos responderam por 32,8% das exportações brasileiras de componentes, máquinas e demais insumos, totalizando US$ 483,8 milhões no acumulado do ano.

 

 


Essa dinâmica ocorre em meio à intensificação das medidas de defesa comercial adotadas pelo país norte-americano. Paralelamente às tarifas atualmente aplicadas a diversos produtos brasileiros sob a Seção 232 da legislação comercial dos EUA — mecanismo voltado a questões de segurança nacional e que abrange produtos de madeira e mobiliário brasileiros —, o governo americano conduziu novas investigações sob a Seção 301, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas desleais de comércio e que poderá resultar na imposição de tarifas adicionais de até 25% sobre diferentes cadeias produtivas.

 


Nesse contexto, entre os dias 6 e 7 de julho, o USTR (United States Trade Representative) realizou audiências técnicas para aprofundar a análise das manifestações apresentadas durante a consulta pública encerrada em junho. Diferentemente da etapa inicial, o foco desta fase concentrou-se nas cadeias produtivas que apresentaram contribuições técnicas ao longo da investigação, que é o caso da de móveis.

 


A ABIMÓVEL participou desse processo ao lado da BMJ Consultores Associados, sob coordenação do ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, protocolando uma  defesa técnica em nome da indústria brasileira de móveis.

 

O documento demonstra que o mobiliário brasileiro tanto não representa risco à indústria norte-americana nem à segurança econômica dos Estados Unidos quanto evidencia uma relação comercial construída ao
 ongo de décadas, baseada na complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países, no fornecimento confiável, em práticas trabalhistas e comerciais compatíveis com as regras internacionais, assim como na utilização predominante de matérias-primas provenientes de florestas plantadas e manejadas de forma sustentável.

 

 Com o encerramento das audiências, o USTR deverá consolidar as informações apresentadas antes da decisão final sobre a investigação, que deve ocorrer até 15 de julho de 2026. Enquanto isso, a ABIMÓVEL segue acompanhando o processo em conjunto com empresas, autoridades brasileiras e parceiros institucionais, monitorando seus possíveis desdobramentos para o setor.

 

 América Latina amplia relevância nas exportações brasileiras Paralelamente, a indústria moveleira brasileira também fortalece sua estratégia de diversificação internacional. Na América Latina, diversos mercados ampliaram participação nas exportações brasileiras ao longo de 2026.

 

No segmento de móveis e colchões, destacam-se Uruguai (12,9%), Chile (7,8%), Argentina (6,8%), Peru (6,9%), Paraguai (5,9%) e Colômbia (2,8%), ressaltando o fortalecimento da presença regional. Entre os fornecedores de suprimentos, a Argentina consolidou-se como o segundo principal destino, respondendo por 13% das exportações brasileiras, seguida por Chile (4,9%), México (4,7%), Paraguai (4%), Colômbia (3,4%) e outros mercados
 latino-americanos.

 


Novos acordos comerciais ampliam perspectivas Além da diversificação regional, o Brasil avança simultaneamente em novas frentes de integração em outros continentes. Após a entrada provisória em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, nas últimas semanas o país iniciou também os procedimentos internos para ratificação dos acordos de livre comércio entre o Mercosul e Singura, que começa a valer já neste mês de agosto, e entre Mercosul e EFTA — bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein —, que entrará em vigor a partir de outubro deste ano. Ambos representam oportunidades para ampliar o acesso da indústria brasileira a mercados de elevado poder aquisitivo e forte integração às cadeias globais de valor.


Importante ressaltar, aliás, que Singapura tornou-se, entre janeiro e maio, o terceiro principal destino das exportações brasileiras no segmento de fornecimento de insumos para fabricação de móveis, com participação de 5,6%, frente a praticamente nenhuma participação observada no ano anterior.

 


Outro movimento relevante ocorre nas negociações entre Mercosul e Japão, cujas tratativas vêm ganhando novo impulso ao longo de 2026. Embora ainda em estágio preliminar, o avanço das conversas sinaliza o interesse de ambas as partes em aprofundar as relações econômicas, abrindo perspectivas para uma futura ampliação do comércio bilateral.

 


Competitividade e posicionamento no mercado global O cenário internacional reforça que a competitividade deixou de depender exclusivamente da eficiência produtiva ou preço. Em um ambiente marcado por maior utilização de barreiras comerciais, investigações técnicas e mudanças regulatórias, a presença internacional exige diálogo diplomático e atuação institucional permanentes, inteligência comercial e capacidade de adaptação às novas exigências dos mercados.

 


Ao mesmo tempo em que trabalha pela preservação do acesso aos mercados já consolidados — especialmente os Estados Unidos —, a entidade segue ampliando iniciativas voltadas à diversificação geográfica das exportações, à promoção comercial, à participação em feiras internacionais, ao fortalecimento do design brasileiro e à abertura de novos canais de negócios.

 


A indústria brasileira reúne atributos reconhecidos internacionalmente, como capacidade produtiva, qualidade técnica, diversidade de matérias-primas, inovação, design, sustentabilidade e experiência exportadora. Transformar essas vantagens em maior
presença internacional dependerá da continuidade dos esforços de internacionalização, da celebração de novos acordos comerciais e da manutenção de um ambiente competitivo para a produção nacional.

 


Nesse contexto, as próximas ações internacionais lideradas pela ABIMÓVEL, em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), por meio do Projeto Brazilian Furniture, ocorrem: em Bento Gonçalves (RS), durante a
Movelsul 2026, de 17 a 20 de agosto, com o Projeto Comprador reunindo fabricantes de móveis brasileiros e compradores internacionais em rodadas de negócios; e em Guadalajara, no México, onde por meio da Vertical de Componentes, Máquinas e Demais Fornecedores do Brazilian Furniture, a entidade organiza a exposição de oito indústrias fornecedoras nacionais na Tecno Mueble, que ocorre de 19 a 22 de agosto.

 

 

Texto: Thaís . Imprensa Abimóvel

Imagem: divulgação

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