Casa paulistana ganha novos capítulos com projeto de interiores assinado por Thaís Helena Ribeiro

No Jardim Vitória Régia, em São Paulo, arquiteta transforma uma casa de 312 m² em um lar acolhedor para uma família de quatro pessoas, preservando a arquitetura existente e criando uma composição marcada por design, memória e afeto

Postado segunda-feira 28/09/2026 por Redação

Categorias: Design Empresas Notícias

Casa paulistana ganha novos capítulos com projeto de interiores assinado por Thaís Helena Ribeiro
Casa paulistana ganha novos capítulos com projeto de interiores assinado por Thaís Helena Ribeiro

 

 

Em meio ao verde do Jardim Vitória Régia, na região do Morumbi, em São Paulo, uma casa de 312 m² revela uma atmosfera pouco comum para a cidade. Madeira, pedra, tijolinho à vista e vegetação abundante aproximam os ambientes da linguagem de uma casa de campo, enquanto peças de design brasileiro, obras de arte, objetos de família e elementos contemporâneos constroem uma narrativa particular no interior.

 

É nesse cenário que a arquiteta Thaís Helena Ribeiro, à frente do escritório Thaís Helena Ribeiro Arquitetura e Interiores, desenvolveu o projeto de reforma, interiores e ambientação da residência, concluído em 2025. Mais do que transformar completamente o imóvel, a proposta partiu justamente do princípio oposto: reconhecer a personalidade que a casa já possuía e fazer com que a nova moradora e seus três filhos encontrassem ali um espaço que pudesse ser chamado de lar.

 

 

“Como a casa já tinha muita personalidade, minha intenção nunca foi apagar o que estava ali”, explica Thaís. A escolha foi por intervenções pontuais, capazes de adaptar a residência à nova configuração familiar sem descaracterizar sua arquitetura.

 

A casa chegou ao projeto com uma história própria. A arquitetura original é de Marcos Tomanik, enquanto uma reforma anterior de interiores havia sido realizada pela designer Vanessa Buarque, que também é a proprietária do imóvel. Quando Thaís conheceu a residência, acompanhando a cliente antes mesmo da locação ser fechada, o desafio inicial era entender se aquela arquitetura poderia responder às necessidades da nova família.

 

A resposta veio com uma intervenção precisa: a criação de uma quarta suíte. Originalmente com três suítes, a casa precisava acomodar a cliente e os três filhos. No pavimento inferior, um antigo ateliê e um depósito foram integrados para dar lugar à nova suíte da filha mais velha, com marcenaria planejada para o novo uso.

 

A partir daí, o trabalho se expandiu para os interiores, iluminação, mobiliário e ambientação. Pintura, ajustes de iluminação, novos layouts, curadoria de peças, garimpo, incorporação de móveis herdados e reorganização dos ambientes foram algumas das estratégias utilizadas.

 

Uma casa feita de camadas

 

Se existe uma palavra capaz de traduzir o projeto, é mistura. Thaís evitou enquadrar a residência em um único estilo e trabalhou a composição a partir do encontro entre diferentes épocas, materiais e histórias.

 

“A arquitetura existente tem ares de Toscana ou de casa de campo, com muita madeira, pedra, verde e uma relação muito próxima com a área externa. Nos interiores, fizemos uma composição mais eclética e contemporânea”, conta.

 

A materialidade original da casa já oferecia uma base expressiva, com tijolinho à vista, madeira de demolição, madeira, pedra e piso de mármore. Em vez de disputar atenção com esses elementos, o projeto acrescentou tecidos, fibras, tramas, diferentes texturas e mobiliário que introduzem cor e personalidade aos espaços.

 

O resultado é uma casa contemporânea, mas distante da aparência de um showroom. “Eu definiria o TH_CAREZZA mais pela mistura e pelas camadas do que por um estilo específico. É uma casa contemporânea, mas sem aquela sensação de que tudo foi comprado de uma única vez”, define Thaís.

 

Essa construção por camadas aparece de maneira especialmente evidente na sala de estar. O ambiente reúne a Poltrona Moleca, de Sergio Rodrigues, adquirida na Galeria Teo; o Sofá Gomos e as Poltronas Plissadas, da Suíte Design para a Líder; um aparador garimpado, que teve a madeira natural recuperada; e uma antiga máquina de costura herdada da avó da cliente, que ganhou nova função como aparador.

 

Na sala de jantar, a Mesa Serpentina, do FGMF para a Líder, encontra o Buffet Curvo, do Estúdio Líder, e cadeiras Cantu, de Sergio Rodrigues, encontradas em antiquário. A composição reforça uma das premissas do projeto: não fazer com que todas as peças pertençam à mesma coleção ou período.

 

“A casa inteira possui esse tipo de encontro entre design, arte, memória e objetos cotidianos”, afirma a arquiteta.

Memórias que mudam de lugar

 

 

O acervo pessoal da família tem papel fundamental na ambientação. Quadros, livros, souvenirs de viagens, objetos e peças herdadas foram distribuídos pelos ambientes, criando uma identidade que não poderia ser reproduzida em outro endereço.

 

Na adega, por exemplo, a cristaleira e o bar pertenciam à avó da cliente. O baú foi garimpado, enquanto as poltronas Costela, de Martin Eisler, vieram da residência anterior. O espaço, que já fazia parte da arquitetura e possui uma atmosfera quase de pequena caverna, também ganhou uma nova função: além de armazenar vinhos, tornou-se um ambiente de convivência.

 

“Acho esse tipo de acervo tão importante quanto o mobiliário novo porque são justamente essas coisas que impedem que uma casa pareça um showroom. A arquitetura pode ser nova para o morador, mas a história de quem chega ali não começa naquele endereço”, explica Thaís.

 

Essa relação com a memória também aparece em pequenos gestos. Uma estante que originalmente funcionava como biblioteca sob a escada foi transformada em louceiro. Espreguiçadeiras da antiga residência foram incorporadas à área externa. Na sala, a máquina de costura da avó deixou de ser um objeto guardado para ganhar protagonismo no cotidiano.

 

Interiores pensados para a vida real

 

A rotina da família orientou boa parte das decisões. Como os moradores gostam de receber, a sala de estar recebeu diferentes lugares para sentar, preservando a circulação. As duas salas de TV — uma no pavimento inferior e outra no superior — permitem usos simultâneos pela família e pelos amigos dos filhos.

 

A área externa, já favorecida pela arquitetura e pelo paisagismo, também foi pensada para receber. O mobiliário da Tidelli, com cordas náuticas, tramas e tecidos tecnológicos, foi escolhido para acompanhar a presença da arquitetura sem competir com ela e suportar a exposição ao tempo.

 

Na suíte master, elementos existentes, como o carpete e o móvel baixo da televisão, foram preservados. O mobiliário da Líder, novos tecidos e cortinas completaram o ambiente, que se abre para uma varanda cercada de verde — uma vista que, segundo Thaís, quase faz esquecer que se está em São Paulo.

 

Um projeto construído em 30 dias

 

Outro aspecto particular do trabalho foi o tempo. O desenvolvimento inicial do projeto aconteceu em aproximadamente 30 dias, período em que foram definidos layouts, a nova suíte, o mobiliário, as peças que seriam trazidas da residência anterior, os elementos de família e as principais adequações.

 

A agilidade também foi favorecida pela relação de longa data entre arquiteta e cliente. Este é o 10º projeto desenvolvido por Thaís Helena para Rosana, em uma parceria profissional iniciada há mais de uma década.

 

“Eu já sabia quais móveis ela tinha, quais peças faziam sentido trazer, como a família usava os ambientes e o quanto receber pessoas era importante para eles. Da mesma forma, ela também já conhece o meu processo e confia nas decisões”, conta.

 

Mais do que uma reforma, o TH_CAREZZA nasce, assim, como uma continuidade. Uma casa que já carregava uma história recebe novos moradores, mas não precisa começar do zero. Entre peças herdadas, design brasileiro, garimpos e objetos trazidos de outras fases da vida, o projeto de Thaís Helena Ribeiro cria uma residência em que passado e presente convivem naturalmente — e em que cada ambiente parece ter sido construído aos poucos, mesmo quando o tempo para fazê-lo foi curto.

 

 

 

Texto:  Thamiris de Souza - Bat Comunicação

 

Imagem: divulgação

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