ABIMÓVEL divulga balanço do 1º semestre: queda nas vendas aos EUA pressiona exportações de móveis
Embarques de móveis e colchões recuaram 6,5%, influenciados pela baixa de 42% nas vendas ao
mercado americano; exportações de suprimentos, por outro lado, avançaram 4%; enquanto isso, alta
das importações chinesas amplia atenção no mercado interno
O comércio exterior da cadeia moveleira brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026
com desempenhos distintos. As exportações de móveis e colchões recuaram 6,5%,
enquanto os embarques de componentes, matérias-primas, máquinas e demais
suprimentos avançaram 4,0%, ambos em relação a igual período no ano anterior.
A diferença esteve relacionada, principalmente, ao comportamento dos Estados Unidos. No
mobiliário acabado, a perda registrada no principal destino do setor superou os ganhos
obtidos em outros países. Entre os suprimentos, a redução das vendas ao mercado
americano foi mais moderada e pôde ser compensada pela expansão em diferentes
destinos.
No fluxo inverso, as importações brasileiras de móveis e colchões cresceram 41,7%,
com forte concentração de produtos chineses. O movimento reduziu o saldo comercial do
segmento e ampliou a importância de acompanhar os efeitos da reorganização dos fluxos
globais sobre o mercado brasileiro.
Os indicadores integram a Conjuntura de Móveis, estudo mensal desenvolvido pelo IEMI
com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), a
partir de informações oficiais e pesquisas setoriais.
Estados Unidos concentram retração das exportações de móveis
As exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 349,7 milhões no
primeiro semestre, ante US$ 374,2 milhões no mesmo período de 2025. A redução foi de
aproximadamente US$ 24,5 milhões.
Somente nos Estados Unidos, porém, a perda chegou a quase US$ 44 milhões. Os
embarques ao país caíram cerca de 42%, e a participação estadunidense nas
exportações brasileiras do segmento diminuiu de 28,0% para 17,4%.
Excluídos os Estados Unidos, as exportações brasileiras de móveis e colchões
registraram crescimento de aproximadamente 7,2%. Resultado que compensou
parcialmente as perdas observadas no principal destino das exportações brasileiras,
embora em magnitude insuficiente para neutralizar os impactos decorrentes da retração
daquele mercado.
Esse desempenho reforça a efetividade da estratégia de diversificação conduzida
pelo Projeto Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a
ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Por meio de
inteligência comercial, promoção internacional e apoio à internacionalização, o projeto tem
contribuído para ampliar a presença das empresas brasileiras no exterior, buscando mitigar
a concentração geográfica das exportações, reduzir a exposição do setor a choques
específicos de mercado e fortalecer sua resiliência diante de um ambiente internacional
caracterizado por crescente volatilidade e barreiras comerciais.
Mesmo após a forte queda, os EUA permaneceram como o maior destino do mobiliário
brasileiro. O Uruguai, segundo colocado, respondeu por 12,9% dos embarques. Para
recuperar apenas o valor perdido no mercado americano, seria necessário praticamente
duplicar as vendas atuais ao Uruguai ou obter expansões mais relevantes em vários países
simultaneamente.
A América Latina vem, de toda forma, ganhando importância nesse processo. Além do
Uruguai, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia e Bolívia ampliaram suas compras no
semestre, favorecidos pela proximidade geográfica, pelos menores tempos logísticos e por
acordos comerciais existentes.
Esses mercados, contudo, apresentam diferentes escalas, estruturas de distribuição e perfis
de consumo, não sendo plenamente substituíveis.
Assim, “a diversificação não consiste
em substituir um grande comprador por outro, mas em construir uma carteira de
destinos mais equilibrada e resiliente, ampliando oportunidades de negócios e
reduzindo, de forma gradual, a exposição do setor a riscos econômicos, geopolíticos,
regulatórios e tarifários concentrados em um único mercado”, reforça Cândida Cervieri,
diretora-executiva da ABIMÓVEL.
Baixa participação dos EUA afeta polos moveleiros no Brasil
A retração das exportações também se refletiu de forma distinta entre os principais polos
moveleiros brasileiros, em razão das diferentes estratégias de inserção internacional e da
composição de seus mercados de destino. Santa Catarina, líder nacional no primeiro
semestre de 2025, registrou redução de 29,4% nos embarques, com sua participação nas
exportações brasileiras passando de 35,5% para 26,9%.
Esse desempenho está
associado, em grande medida, à elevada exposição de parte das empresas catarinenses ao
mercado americano, historicamente um dos principais destinos de suas exportações.
Nesse contexto, a redução dos pedidos afeta não apenas o faturamento das empresas, mas
também a utilização da capacidade produtiva, a demanda por insumos, os serviços
logísticos, os investimentos e a geração de empregos ao longo de toda a cadeia produtiva.
Por outro lado, estados com maior diversificação geográfica de mercados ou com maior
dinamismo em outras regiões apresentaram comportamento distinto no período.
O Rio
Grande do Sul passou a liderar as exportações nacionais, impulsionado pelo
crescimento das vendas para a América do Sul, enquanto o Paraná também ampliou
seus embarques e São Paulo manteve desempenho próximo da estabilidade.
Essa dinâmica ocorre sobretudo porque a produção anteriormente destinada aos Estados
Unidos não pode ser simplesmente transferida para o mercado interno ou enviada a outros
países. Parte relevante das indústrias exportadoras produz sob encomenda para
importadores, grandes redes ou marcas estrangeiras, seguindo dimensões, materiais,
acabamentos, embalagens, certificações e exigências logísticas específicas. O
redirecionamento exige – para além de questões econômicas e de comportamento de
consumo – planejamento, investimento e continuidade.
Suprimentos avançam com base internacional mais diversificada
Na vertical de componentes, matérias-primas, máquinas e demais fornecedores, as
exportações alcançaram US$ 1,785 bilhão, alta de 4% no primeiro semestre.
Os Estados Unidos continuaram como o maior mercado, embora tenham reduzido suas
compras em 9,5%. Fora do destino norte-americano, os embarques de suprimentos
cresceram aproximadamente 12,5%.
A maior variedade de produtos, aplicações industriais e clientes permitiu compensar com
mais eficiência a retração nos EUA. Argentina, México, Paraguai, Colômbia e França
estiveram entre os mercados que ampliaram as compras no período.
O resultado mostra que a presença internacional da cadeia moveleira brasileira vai além do
produto acabado. Componentes, painéis, matérias-primas, ferragens, máquinas,
equipamentos e tecnologias formam uma frente própria de negócios e posicionam o Brasil
como fornecedor relevante para indústrias instaladas em diferentes mercados.
Importações de produtos acabados crescem 41,7%
Enquanto as exportações de móveis e colchões recuaram, as importações desses
produtos aumentaram 41,7%. Com isso, o superávit comercial do segmento diminuiu de
aproximadamente US$ 236 milhões para US$ 153,9 milhões.
A China respondeu por 74,3% dessas compras e ampliou em 48,9% as vendas de móveis
e colchões ao mercado brasileiro.
“A preocupação não está na importação em si, mas na velocidade do crescimento, na
concentração da origem e no risco de redirecionamento comercial”, enfatiza Cândida.
À medida que grandes economias elevam tarifas e controles de importação, parte da
produção internacional pode buscar mercados alternativos mais acessíveis, aumentando a
pressão competitiva sobre a indústria brasileira.
Nas importações de suprimentos, o avanço foi mais moderado, de 2,8%. A análise
desse fluxo, porém, exige maior diferenciação: o grupo reúne tanto produtos que concorrem
diretamente com a fabricação nacional quanto matérias-primas, componentes,
equipamentos e tecnologias utilizados pelas próprias indústrias brasileiras.
Por essa razão, a ABIMÓVEL defende instrumentos de defesa comercial tecnicamente
direcionados, capazes de enfrentar práticas desleais sem elevar os custos dos insumos
necessários à modernização e à competitividade da produção nacional. O avanço da
entrada de produtos chineses e o risco de redirecionamento de mercadorias já foram
apresentados pela entidade à Secretaria de Comércio Exterior do MDIC.
Novas tarifas aumentam pressão para o segundo semestre
Os resultados do primeiro semestre ainda não refletem integralmente as novas tarifas
impostas pelos Estados Unidos. Uma cobrança adicional de 25% passou a valer em 22 de
julho. Dois dias depois, um novo adicional de 12,5% alcançou grande parte dos produtos
brasileiros.
Para diversas categorias de móveis e colchões atingidas pelas duas medidas, as
sobretaxas podem chegar a 37,5%, além da tarifa regular de importação. Produtos
enquadrados na Seção 232 possuem tratamento específico, o que exige análise conforme a
classificação tarifária de cada mercadoria.
O impacto potencial para a indústria brasileira contrasta com sua participação reduzida no
mercado americano. Embora os Estados Unidos sejam o principal destino histórico do
setor, o Brasil responde por apenas cerca de 0,7% das importações de móveis do
país norte-americano. A escala limitada reforça a avaliação de que o mobiliário brasileiro
não representa ameaça à indústria local, mas ocupa uma posição complementar na oferta
local.
Além das tarifas, o governo Trump prorrogou por mais um ano a emergência nacional
declarada em relação ao Brasil. A decisão, válida ao menos até 30 de julho de 2027, não
cria, por si só, novas tarifas nem altera as alíquotas atuais, mas mantém em vigor o
instrumento jurídico que permite a adoção de sanções e outras medidas de pressão.
Defesa institucional e acesso a novos mercados
Diante do cenário, a ABIMÓVEL intensificou a interlocução com o Governo Federal. A
entidade defende a continuidade das negociações diplomáticas, a revisão das tarifas,
a retomada integral do Reintegra, a ampliação do crédito às exportações e o
fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial.
Paralelamente, a abertura de novos canais avança por meio do Projeto Setorial
Brazilian Furniture, realizado pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência
Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
De 17 a 20 de agosto, a Movelsul Brasil, em Bento Gonçalves (RS), receberá rodadas com
compradores internacionais a partir do Projeto Comprador, além de uma exposição voltada
a apresentar a diversidade produtiva do mobiliário nacional. Na mesma semana, oito
indústrias brasileiras de suprimentos participarão da Tecno Mueble Internacional, no
México — mercado para o qual os embarques do segmento cresceram mais de 26% no
semestre.
A agenda segue para a Feria de Diseño Medellín, realizada de 10 a 12 de setembro, na
Colômbia, país que ampliou as compras tanto de móveis quanto de suprimentos brasileiros.
Em novembro, o 13º Congresso Nacional Moveleiro, em Curitiba (PR), reunirá novas
rodadas internacionais e debates sobre competitividade, inovação, varejo e inserção global.
Essas ações cumprem uma função estratégica: aproximar empresas de importadores, testar
mercados, formar novos canais e transformar contatos em relações comerciais.
Design brasileiro amplia valor e diferenciação
Diversificar mercados, todavia, não significa apenas ampliar o número de destinos para os
mesmos produtos. Em um cenário marcado por tarifas mais elevadas, maior concorrência
internacional e mudanças nos padrões de consumo, a expansão das exportações depende,
cada vez mais, da capacidade de agregar valor, diferenciar produtos e fortalecer o
posicionamento competitivo da indústria brasileira.
O mobiliário nacional reúne atributos reconhecidos internacionalmente, como a diversidade
de matérias-primas, a qualidade do design, a inovação, a sustentabilidade e a capacidade
de desenvolver soluções alinhadas às diferentes formas de viver e ocupar os espaços.
Esses diferenciais permitem competir para além do fator preço e consolidar a imagem do
Brasil como referência em mobiliário de valor agregado.
Nesse contexto, o Prêmio Design da Movelaria Nacional, realizado pela ABIMÓVEL, com
correalização da ApexBrasil e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas), consolida-se como um importante instrumento de valorização da indústria e do
design brasileiros. Em sua segunda edição, a iniciativa registrou mais de 400 projetos
inscritos, evidenciando o elevado engajamento do setor e seu potencial criativo. O Prêmio
reconhece soluções que aliam brasilidade, inovação, sustentabilidade, viabilidade produtiva
e potencial comercial, contribuindo para ampliar a visibilidade internacional do mobiliário
brasileiro e fortalecer sua competitividade nos mercados externos.
Os finalistas da segunda edição integrarão uma mostra especial durante o Congresso
Nacional Moveleiro 2026, enquanto as peças vencedoras seguirão para o Salone del
Mobile.Milano 2027, durante a Semana de Design de Milão, na Itália — principal evento
do calendário global do setor.
A projeção amplia o acesso a compradores, arquitetos e especificadores e apresenta ao
mundo não apenas produtos, mas ideias, tecnologias e soluções brasileiras num mercado
em transformação.
Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL)
Assessoria de Imprensa — press@abimovel.com | 14.99156-0238
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