A FLORESTA DE CABEÇA PARA BAIXO

Coleção assinada por Fabiana Queiroga com seis padrões inéditos inspirados no Cerrado para a Donatelli Tecidos

Postado quinta-feira 26/03/2026 por Redação

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A FLORESTA  DE CABEÇA PARA BAIXO
A FLORESTA DE CABEÇA PARA BAIXO

A Donatelli Tecidos apresenta A Floresta de Cabeça para Baixo, coleção assinada pela artista goiana Fabiana Queiroga. Composta por seis padrões inéditos, a série transforma território, memória e arte em linguagem têxtil.

 

 

Sob curadoria da jornalista e diretora criativa Denise Gustavsen, idealizadora do projeto, a coleção propõe uma leitura sensível e contemporânea sobre o Cerrado, bioma fundamental para o equilíbrio climático do planeta e, ao mesmo tempo, um dos mais ameaçados do Brasil.

 

 

Ao transitar entre arte e design, Fabiana Queiroga, que traz o bioma enraizado em sua narrativa artística, desloca o olhar para aquilo que permanece oculto e transforma superfícies em camadas têxteis capazes de ultrapassar a função decorativa. As estampas nascem da pesquisa da artista sobre a paisagem, de registros naturais e processos gráficos que exploram veios, cascas, rastros e sobreposições, criando tecidos que operam como narrativas poéticas. O resultado são obras que dialogam com projetos de interiores atentos à percepção, à presença e ao significado. "Entre raiz e tramas, minha arte é gesto manual, que transforma cenário em superfície latente", diz a artista.

 

 

Inspirada no conceito da "floresta de cabeça para baixo", nome dado ao vasto sistema de raízes subterrâneas onde se concentra a maior parte da biomassa do Cerrado, a coleção abre espaço para esse mundo invisível, responsável por armazenar água, capturar carbono e sustentar ecossistemas inteiros, torna-se metáfora central do projeto, revelando que a verdadeira força da paisagem reside abaixo da superfície.

 

 

 


TEXTO CURATORIAL | DENISE GUSTAVSEN

 

 

A  Floresta de Cabeça para baixo

 

 

"Há um mundo extraordinário no Cerrado. Lar de cerca de 5% de todas as espécies animais e vegetais da Terra, o bioma esconde um segredo abaixo do solo: os extensos sistemas de raízes espinhosas, que atuam como sumidouro de carbono, além de armazenar água das chuvas sazonais em câmaras subterrâneas para enfrentar a seca e os incêndios naturais, e alimentar bacias hidrográficas da América do Sul. Todo esse ecossistema, o mais rico em biodiversidade do planeta, está ameaçado pela crescente perda de território e por queimadas, comuns em época de seca, mas agora cada vez mais devastadoras. Diante de crises, como a climática, é simbólico que a arte desponte como um manifesto poético em defesa da vida. 

 

Marcada por forte apelo dramático, a nova coleção de tecidos da Donatelli, assinada por Fabiana Queiroga, expressa essa declaração. A artista goiana traz na lembrança as cores, aromas, texturas, formas e toda espécie de encantamentos que percorreram seu tempo por lá. Com os sentidos à flor da pele, gostava de mirar a vegetação seca, os galhos retorcidos, salpicados pelo fogo, os animais, e se deliciar com a regeneração das plantas e o perfume único da chuva na terra. 

Radicada em São Paulo desde 2020, Fabiana buscou nessas memórias afetivas latentes e nas múltiplas camadas do Cerrado a inspiração para desenvolver a série artística A Floresta de Cabeça Para Baixo. "Criar é magia em estado bruto, é flertar com o invisível que nos habita", diz ela."

 


MOVIMENTOS CRIATIVOS |  SERTÃO E CARBONO

 


A coleção se estrutura a partir de dois movimentos complementares, Sertão e Carbono, que orientam as pesquisas gráficas, cromáticas e materiais dos tecidos.

Sertão revela a exuberância do bioma por meio de cores, texturas e espécies, evocando a riqueza da flora e da fauna brasileiras. Os padrões Casca e Sertão, este último apresentado em duas variações cromáticas, desenvolvem grafismos orgânicos e composições fluidas, com tramas expansivas e ritmo contínuo. O desenho sugere movimento e vitalidade, criando superfícies dinâmicas de forte presença. A paleta privilegia tons quentes e terrosos, combinados a nuances naturais e variações sutis de profundidade, resultando em tecidos que se relacionam com a luz e ampliam a percepção de textura nos ambientes.

 

Já Carbono assume um registro mais denso e silencioso, refletindo as marcas do desmatamento, das queimadas e do esvaziamento progressivo do território, convertendo impacto ambiental em gesto poético e visual. Os quatro padrões assumem uma linguagem mais contida e fragmentada. Nada se revela em superfície simples e direta, enquanto Veios explora a técnica double face, evidenciando camadas e tensões visuais. Torcido se apresenta em duas variações de cor, e Solo aprofunda a investigação sobre densidade, ritmo e sobreposição, ampliando a dimensão gráfica do conjunto. Tonalidades profundas, como cinzas e grafites, estruturam composições de forte contraste e sobriedade. O conjunto resulta em tecidos de leitura introspectiva, com impacto espacial e vocação arquitetônica. 

 

A coleção reafirma o design como instrumento de reflexão, convidando a uma observação mais consciente da paisagem e de seu papel como agente cultural, capaz de traduzir questões ambientais em linguagem simbólica e artística. 

Presskit para imprensa | Crédito de imagens Rodrigo Vargas

https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1U_CKDPffRybnTnHUR2KJHb38vlEKEWF3?hl=en

 

SOBRE A ARTISTA FABIANA QUEIROGA

Nascida em Goiânia, no Cerrado brasileiro, Fabiana Queiroga vive e trabalha em São Paulo, onde mantém seu ateliê. Sua trajetória atravessa a arte visual, o design autoral e a cenografia, construindo uma pesquisa contínua que investiga a matéria como linguagem, memória e território.

 

Artista visual e designer de produto, Fabiana desenvolve um design que nasce do pensamento artístico não como aplicação funcional da forma, mas como extensão poética da escultura, da instalação e da pintura. Seus objetos carregam o mesmo rigor conceitual de sua produção artística, operando no limite entre arte e design, entre uso e poética. 

 

Com formação e atuação acadêmica, foi professora na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) entre 2011 e 2021, onde ministrou disciplinas e cursos voltados ao processo criativo, ao desenho e à experimentação como método de pensamento. Sua prática pedagógica reflete o mesmo princípio que orienta sua obra: a curiosidade como motor e o fazer como forma de conhecimento.

 

Sua pesquisa transita por diferentes linguagens, escultura, instalação, pintura, poesia, vídeo e objeto, articulando conceitos como sinédoque, espelhamento, fragmento e repetição. No design autoral, esses princípios se materializam em peças que revelam relações entre natureza e arquitetura, corpo e espaço, tempo e permanência. Mais do que responder a funções, seus objetos instauram presenças. São peças que carregam vestígios do gesto, da matéria e do tempo, propondo uma experiência sensível onde o design não se limita ao uso, mas amplia o campo do sentir, do habitar e do olhar.

 

SOBRE A CURADORA DENISE GUSTAVSEN

Jornalista formada pela Unisinos, com especialização em marketing e gestão de negócios pela ESPM e mais de 20 anos de experiência nas áreas de arquitetura, design, arte, decoração e comportamento. Já atuou como editora na revista Casa Claudia e foi coordenadora geral na revista Casa Claudia Luxo e de livros sobre design na Editora Abril. Antes disso, passou pelas redações das revistas Veja, Veja São Paulo e Época, e do jornal O Estado de São Paulo, veículo pelo qual ganhou o prêmio Esso – honraria máxima concedida a jornalistas – à frente de uma publicação de caráter revolucionário para jovens. No mesmo jornal, também comandou setor dedicado a novos projetos editoriais. 

 

Hoje é diretora criativa do Studio Reina, um bureau criativo especializado no desenvolvimento de projetos de comunicação, curadoria de projetos culturais e de desenvolvimento de produtos, exposições e produção e edição de coffee table books nas áreas de design, arquitetura e design de interiores.

 

 

Com uma trajetória construída ao longo de mais de oito décadas, a Donatelli Tecidos afirma seu papel como protagonista no cenário do design têxtil brasileiro. Reconhecida pela excelência de seus materiais, processos e curadoria estética, cultiva uma relação atenta com a arte, a cultura e o pensamento criativo contemporâneo. Ao completar 83 anos, celebra não apenas sua longevidade, mas a capacidade contínua de renovação e de escuta poética do tempo.

 

Em 2024, recebeu reconhecimento internacional ao conquistar o iF Design Award, na categoria Textiles / Walls / Floor, pela coleção Projeto Gunta, inspirada na vida e obra de Gunta Stölzl, diretora da oficina de tecelagem da consagrada Escola Bauhaus. Desenvolvida em colaboração com a designer Clarisse Romeiro, a coleção reforça o posicionamento da Donatelli na interseção entre tradição, inovação e design autoral brasileiro.

 

Com o lançamento de A Floresta de Cabeça para Baixo, a Donatelli consolida sua atuação como plataforma para o design autoral brasileiro, investindo em parcerias fundamentadas em pesquisa, autoria e responsabilidade. A coleção evidencia a força do encontro entre indústria, criação e curadoria, estabelecendo um diálogo consistente entre identidade territorial, produção contemporânea e consciência ambiental.

 

 

Texto:   Cris Landi // Landi empress

Imagem: divulgação

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